As máquinas

maryMary Barton, da britânica Elizabeth Gaskell, é uma dessas obras literárias cujos contextos externos se igualam (ou se elevam) à previdência de seus limites ficcionais.

Publicado nos anos 1800, nos estertores da revolução industrial, o romance colocava uma mulher em posição arrojada de protagonista, dentro de um escopo social no qual se discutiam a diferença entre classes e as condições precárias dos trabalhadores, engajado em ideais revolucionários.

Não por menos foi considerado subversivo, em sua época, pela elite burguesa. O editor, desse modo, convenceu a autora a enfatizar o núcleo romântico em detrimento ao fundo político, deslocando o tom de protesto para a motivação de um personagem secundário.

Dito isso, torna-se compreensível (mesmo que ainda enfadonha) toda a sobrecarga dramática que envolve o trio amoroso que conduz a trama.

Passada em Manchester dos conflitos operários, a história tem como agente principal Mary Barton, a filha de um sindicalista fabril. Trabalhando como costureira, ela se vê tentada pelas investidas de Henry Carson, filho do patrão de seu pai, ao mesmo tempo que nutre sentimentos pelo pobre Jem Wilson.

Um dia depois de uma discussão acalorada entre os rivais, Henry aparece morto e Jem é acusado pelo crime. Dessa maneira, as repercussões de natureza sociopolítica ecoam pelos meandros de uma narrativa que incorpora os elementos clássicos de um romance policial.

***

Livro: Mary Barton

Editora: Record

Avaliação: Bom

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