Fantasmas

segredosUma forma de fantasmagoria toma conta das narrativas de Segredos e prazeres, de Fátima Brito.

Não se trata de uma presença sobrenatural, e sim daquilo sem nome que se espreita pela alma, algo oculto, uma incompensação que, embora física, não é tratável.

Todos os personagens estão envolvidos em situações diante das quais parecem se lançar à procura de saídas, no entanto acabam tornando mais complexos seus estados de desemparo, num circuito de dilemas sem orientação de origem ou destino.

Fátima Brito controla o ritmo com elevações de suspense, dando acesso ao leitor a planos narrativos ora guiados por motivações claras, ora pela sensação de desgoverno, revelando seus propósitos em desfechos carregados de subentendimentos.

Um exemplo concreto está logo no primeiro conto, no qual uma mulher embarca num ônibus e um homem acomoda-se ao seu lado, embora muitos dos bancos estejam vazios. Cria-se, assim, uma espécie jogo de atração e mistério, que está ligado a um passado desvelado paulatinamente.

A história mental sempre está em protagonismo, construída a partir de temas centrais como obsessões, voyeurismo, devaneios e acerto de contas.

Nesse palco de limites movediços, a autora recorre a um repertório sinestésico que motiva os atores das tramas a espiarem dentro e si e enxergarem uma caixa de segredos.

Abri-la ou não é o que determina os eixos das relações nessa existência de clima (interno e externo) sempre nebuloso.

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Livro: Segredos e prazeres

Editora: Patuá

Avaliação: Bom

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