Felino carioca

gatoOriginalmente publicadas na internet em intervalos de dias, as crônicas de O gato na árvore, quando reunidas, evidenciam de imediato tais saltos.

A antologia de estreia de Marco Antonio Martire não se detém a pensar num repertório coeso, subsequenciando textos cujos temas se consorciam ou se complementam; ou, tampouco, estabelecendo seções nas quais um grupo de narrativas se debruçam sobre um determinado assunto.

É uma condução multifária. Num momento o autor reflete sobre o gato de rua que viu no alto da árvore, para, em seguida, divagar sobre a extinção de alguns velhos hábitos.

A diversidade daquilo que inspira e é processado em escrita, no entanto, deixa de ser um disparate à medida que se entende o conceito na engenharia do livro.

Na posição de observador ou de explorador da memória, Martite alimenta a construção de uma identidade carioca, transitando por ruas, passando tempo em bares, decifrando o ethos e promovendo encontros. Tudo, quando possível, acompanhado de uma cerveja bem gelada.

Com isso, o estilo se conforma a partir das propriedades da leveza, do relato coloquial e da descontração.

De fato, a melhor maneira de se desfrutar o livro é sempre pressa, em pausas remansosas entre uma crônica e outra, dando tempo à leitura para se concluir sem a agilidade dos felinos.

***

Livro: O gato na árvore

Editora: Moinhos

Avaliação: Bom

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